CRONOLOGIA ECONÔMICA RECENTE DO BRASIL

1947 |
• Surge o slogan: “O petróleo é nosso”.
• No governo do presidente Eurico Dutra o país esgota reservas de divisas (cerca de US$ 750 milhões) amealhadas durante a guerra. * Cruzeiro valorizado em relação ao dólar desestimula exportações e incentiva às importações.
• O Tribunal Superior Eleitoral cancela o registro eleitoral do Partido Comunista Brasileiro.
• Brasil rompe relações com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
• O surto de desenvolvimento econômico é chamado de “industrialização espontânea”.
• Nascida boletim, começa a circular em novembro a revista Conjuntura Econômica editada pelo Núcleo de Economia, embrião do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getulio Vargas.
• Criado o Índice Geral de Preços – IGP-DI, com cálculo retroativo a 1944.

1948 |
• Criada a Organização dos Estados Americanos (OEA).
• Início da construção da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso, inaugurada em 1954, e da ampliação e pavimentação da Rodovia Presidente Dutra, a Rio-São Paulo, aberta ao tráfego em 1950.
• Fundado o Estado de Israel.
• Fundada em Santiago, no Chile, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), vinculada a ONU.
• Lançado o Plano Salte (das iniciais de saúde, alimentação, transporte e energia) para gerenciar os gastos públicos e os investimentos nos setores essenciais, primeiro ensaio de planejamento econômico.
• Comissão Técnica Mista Brasil-Estados Unidos, co-presidida pelo representante brasileiro Octavio Gouvêa de Bulhões e pelo americano John Abbink, para diagnosticar os problemas e propor reformas à economia brasileira.
• Promulgada pela ONU a Declaração Universal dos Direitos do Homem.
• PIB de 9,7% e inflação de 5,9%.

1949 |
• É criado o novo Índice do Custo de Vida, composto de 45 itens.
• Início do auto-financiamento nos serviços de eletricidade, telefone e gás.
• Proclamada a República Popular da China. Mao Tse-tung no poder.
• As exportações de café batem recordes, chegando a quase 20 milhões de sacas.
• PIB de 7,7% e inflação de 8,1%.

1950 |
• Em março é feita a primeira divulgação do Índice de Custo da Construção, com retroação a janeiro de 1945.
• O índice do Custo da Construção Civil registra que a mão de obra operária quadruplicou no último decênio.
• Até 1949, o Índice Geral de Preços era calculado como média do Índice de Preços por Atacado e Índice do Custo de Vida do Rio de Janeiro, a partir desse ano passa a contar com mais um componente: o Índice de Custo da Construção no Rio de Janeiro.
• O Brasil tem 51,9 milhões de habitantes, dos quais dois terços vivem no campo.
• Entre 1945 e 1950, a capacidade instalada de geração de energia elétrica passou de 1.340 para 1.800 megawatts.
• Inaugurada a refinaria estatal de petróleo de Mataripe, na Bahia.
• Na eleição para presidente da República, Getúlio Vargas (PTB-PSP), com 48,7% dos votos, derrota o candidato da UDN, o brigadeiro Eduardo Gomes (29,7%), o do PSD, Cristiano Machado (21,4%), e o do PSB, João Mangabeira (0,2%).
• PIB de 6,8% e inflação de 12,4%.

1951 |
• Nasce o IBRE – Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, com Eugenio Gudin na presidência e Octavio Gouvêa de Bulhões, vice.
• Instituídas a Assessoria Econômica da Presidência da República e a Comissão de Desenvolvimento Industrial (CDI).
• Fundada a Comunidade Européia do Carvão e do Aço (Ceca), embrião do Mercado Comum Europeu.
• Encaminhado ao Congresso pelo governo o projeto de criação da Petrobras sem prever o monopólio estatal.
• PIB de 4,9% e inflação de 12,3%.

1952 |
• Em fevereiro desse ano começam a ser publicados os índices paulistas.
• O salário mínimo, volta a ser aumentado por Vargas: de Cr$ 380 para Cr$ 1.200.
• Lançado o Plano de Reaparelhamento Econômico e um programa industrial com a formulação de várias políticas setoriais.
• Nasce o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) e o Instituto Brasileiro do Café (IBC).
• Surge o Fundo Nacional de Eletrificação e é proposta a criação da Eletrobrás.
• Limitadas a 10% do capital investido a remessa de lucros das empresas estrangeiras.
• PIB de 7,3% e inflação de 12,7%.

1953 |
• O gaúcho João Goulart, o Jango, presidente do PTB e deputado, assume o Ministério do Trabalho e promete dobrar o salário mínimo.
• Oswaldo Aranha no Ministério da Fazenda, em lugar de Horácio Lafer, adota nova política cambial, comprimindo as importações e estimulando a produção interna.
• Criada a Petrobrás, detendo o monopólio da produção e da prospecção de petróleo.
• Surge a Carteira de Comércio Exterior (Cacex) do Banco do Brasil.
• PIB de 4,7% e inflação de 20,6%.

1954 |
• Jango pede demissão do Ministério do Trabalho.
• Inaugurada a refinaria de Cubatão (São Paulo), da Petrobras, e meses depois a de Manguinhos (RJ), da iniciativa privada.
• Vargas dobra o salário mínimo no dia 1º de Maio: de Cr$ 1.200 para Cr$ 2.400.
• O governo dos Estados Unidos boicota a importação do café brasileiro, diante da elevação do preço mínimo.
• Atentado contra o jornalista Lacerda praticado por pistoleiros contratados pela guarda pessoal do presidente, no qual morre o major Rubens Vaz, da Aeronáutica.
• É pedida por 30 generais, entre os quais Castello Branco, a renúncia de Vargas.
• Getúlio suicida-se com um tiro no coração no Palácio do Catete.
• Assume a presidência o vice Café Filho.
• Eugênio Gudin é nomeado ministro da Fazenda em fins de agosto. Corta despesas públicas e institui o desconto do imposto de renda na folha de pagamentos dos assalariados. Em setembro, para enfrentar a crise cambial, obtém empréstimos de US$ 200 milhões junto a 19 bancos americanos. Em outubro, limita o crédito.
• PIB de 7,8% e inflação de 25,8%.

1955 |
• O índice de preços por atacado que até então compreendia apenas 25 produtos, passa a ter 90 produtos incluídos.
• O PSD lança, em fevereiro, a candidatura à presidência de Juscelino Kubitschek que promete construir Brasília.
• Entra em operação a primeira grande usina hidrelétrica do Nordeste, a de Paulo Afonso, no Rio São Francisco.
• Gudin deixa o Ministério da Fazenda para José Maria Whitaker.
• Juscelino Kubitschek (PSD-PTB) é eleito presidente da República com cerca de três milhões de votos, derrotando o general Juarez Távora (UDN) que obtém 2,6 milhões. Jango, candidato na chapa de JK, elege-se vice com 3,6 milhões de votos — votava-se separadamente para os candidatos aos dois cargos.
• O general Henrique Teixeira Lott afasta o presidente da Câmara, Carlos Luz, que assumira a presidência da República no impedimento de Café Filho, alegando que este mantinha ligações com a corrente golpista liderada por Lacerda favorável a impedir a posse de JK por não ter alcançado maioria absoluta. Assume o presidente do Senado Nereu Ramos. Lacerda consegue asilo na embaixada de Cuba.
• PIB de 8,8% e inflação de 12,2%.

1956 |
• JK assume a presidência com discurso desenvolvimentista. Lança o Plano Nacional de Desenvolvimento, ou Programa de Metas, baseado na tolerância inflacionária, na intervenção estatal na economia, na captação de recursos externos e para atender os setores de alimentação, educação, indústria de base, energia e transporte.
• Tem início os estudos para a construção pela Petrobrás de uma refinaria em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, inaugurada em 1961.
• Começa a construção de Brasília.
• Criado o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA).
• A Mercedes-Benz inaugura fábrica de caminhões, em São Bernardo do Campo (SP).
• Tem início as obras para a construção da barragem de Três Marias, Minas Gerais.
• PIB de 2,9% e inflação de 24,5%.

1957|
• Assinados pelos governos da Alemanha Ocidental, Itália, Bélgica, França, Holanda e Luxemburgo os Tratados de Roma, dando origem a Comunidade Econômica Européia.
• Sai da fábrica da Volkswagen a primeira Kombi produzida no Brasil com 50% de peças nacionais.
• Greve geral em São Paulo por 10 dias: 400 mil trabalhadores cruzam os braços.
• PIB de 7,7% e inflação de 7%.

1958|
• São apresentadas modificações no Índice do Custo de Vida, como a substituição desde o ano base, da série referente aos aluguéis, até a modificação da ponderação e introdução de novos itens.
• Começa a construção da estrada Belém-Brasília.
• Lucas Lopes no Ministério da Fazenda para cortar gastos e controlar a inflação.
• Chega às ruas o DKW-Vemag, o primeiro carro de passeio montado no Brasil.
• Inaugurado o Palácio da Alvorada, em Brasília.
• PIB de 10,8% e inflação de 24,4%.

1959|
• O salário mínimo alcança Cr$ 6 mil.
• Em Cuba, Fidel Castro toma o poder em janeiro e, em maio, visita o Brasil.
• JK anuncia o rompimento com o FMI.
• No Rio Grande do Sul, nacionalizada concessionária americana de energia elétrica pelo governador Leonel Brizola.
• A linha de montagem da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP) é inaugurada por Juscelino. Circula o primeiro Fusca produzido no Brasil.
• Começa a operar a ponte-aérea Rio-São Paulo.
• Tem início a Guerra do Vietnã, confrontando o Sul, apoiado pelos EUA, ao Norte, sob influência comunista.
• É criada a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), inspiração do economista Celso Furtado, que no mesmo ano publica Formação Econômica do Brasil.
• PIB de 9,8% e inflação de 39,4%.

1960 |
• Em visita ao Brasil, Dwight Eisenhower, presidente dos EUA, acerta com JK o reinício das negociações do país com o FMI.
• Brasília é inaugurada em 21 de abril no Planalto Central.
• Jânio Quadros (PR-UDN) elege-se presidente da República com cerca de 5,6 milhões de votos (48%), derrotando o general Lott (PTB-PSD), com 3,8 milhões de votos (28%). Goulart, da chapa de Lott, é de novo vice com 4,5 milhões de votos.
• Eleitores de Jânio cantam: “Varre, varre, vassourinha./Varre, varre a bandalheira.”
• Criada pela Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Venezuela a Organização dos Países Exportadores e Petróleo (OPEP). O preço do barril: US$ 1,50.
• Fidel confisca as refinarias de petróleo americanas.
• John Kennedy é eleito presidente dos EUA.
• PIB de 9,4% e inflação de 30,5%.

1961 |
• Jânio toma posse com discurso moralista.
• Os EUA rompem com Cuba.
• John Kenneky assume a presidência dos EUA em janeiro e, em março, lança a Aliança para o Progresso, para financiar reformas sociais na América Latina.
• O banqueiro Clemente Mariani assume o Ministério da Fazenda.
• O cruzeiro é desvalorizado — de Cr$ 90, um dólar chega a Cr$ 200.
• Exilados cubanos tentam invadir Cuba pela Baía dos Porcos. São derrotados.
• Produzido o primeiro circuito integrado de computador.
• A Alemanha Oriental começa a erguer o Muro de Berlim.
• Em agosto, Jânio renuncia. Os ministros militares são contra a posse de Goulart — estava em Cingapura, após visita a China. O III Exército, no Rio Grande do Sul, adere à campanha da legalidade liderada pelo governador Leonel Brizola, cunhado de Jango, defendendo a posse do vice.
• Congresso aprova emenda que institui o parlamentarismo, aceita por Goulart, que assume a presidência tendo Tancredo Neves (PSD) como primeiro-ministro.
• PIB de 8,6% e inflação de 47,8%.

1962 |
• Foi assinado o contrato com o Usda, United States Department of Agriculture, projeto de escala mundial com a participação do Centro de Estudos Agrícolas, do IBRE.
• Forma-se a Zona de Livre Comércio, instituída pela Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC).
• Nasce o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT).
• Tancredo renúncia ao cargo para concorrer ao governo de Minas (foi derrotado pelo udenista Magalhães Pinto), sendo substituído pelo jurista gaúcho Brochado da Rocha (PSD), que permanece no posto até setembro, quando entra em seu lugar Hermes Lima (PSB), último premier.
• Instalada a Eletrobrás.
• Instituído o 13º salário.
• Deixa o Ministério da Fazenda o banqueiro Walter Moreira Salles, sendo substituído pelo também banqueiro Miguel Calmon.
• Criado o Ministério do Planejamento, sob o comando de Celso Furtado.
• Nasce a Superintendência Nacional de Abastecimento (Sunab) em substituição à Comissão Federal de Abastecimento e Preço (Cofap).
• Governo reajusta o salário mínimo em 50%. Sindicatos exigiam 80%.
• EUA impõem, em agosto, o bloqueio econômico a Cuba.
• Em outubro, americanos descobrem mísseis soviéticos em Cuba. Foguetes são retirados pela União Soviética. EUA se comprometem a não invadir a ilha.
• Brasil reata relações diplomáticas com a União Soviética.
• Cuba é expulsa da OEA por adotar um regime incompatível com o democrático — o Brasil se abstém de votar.
• Eleições parlamentares: o PTB torna-se o maior partido da Câmara.
• Lançado o Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social, elaborado por Celso Furtado, para controlar o déficit público, conter a inflação e promover o crescimento real da economia, estabelecendo as reformas de base nas estruturas educacional, agrária, fiscal, bancária.
• PIB de 6,6% e inflação de 51,6%.

1963 |
• Em janeiro, 80% dos eleitores aprovam em plebiscito a volta do regime presidencialista.
• San Thiago Dantas assume o Ministério da Fazenda do presidencialismo, mas depois de seis meses, em junho, cede o lugar a Carvalho Pinto, que, em dezembro, passa o cargo a Ney Galvão.
• O Plano Trienal fracassa por não reduzir a inflação.
• Previdência Social aos trabalhadores rurais e 13º para os funcionários públicos.
• A Petrobrás passa a ter o monopólio para importação de petróleo.
• Lacerda advoga golpe militar contra Jango.
• O general Castello Branco comanda o Estado Maior do Exército.
• John Kennedy é assassinado em Dallas, sendo substituído pelo vice Lyndon Johnson.
• PIB de 0,6% e inflação de 79,9%.

1964 |
• O IGP-DI ganhou mais relevância tornou mais intenso com a instituição da correção monetária.
• Em comício numa sexta-feira 13 (de março), em frente a Central do Brasil, no Rio, perante 300 mil pessoas, Goulart decreta a estatização de refinarias particulares de petróleo e a desapropriação das terras às margens de rodovias, ferrovias e obras públicas para fins de reforma agrária exigida “na lei ou na marra”.
• Em São Paulo, cerca de 400 mil pessoas na Marcha da Família com Deus pela Liberdade.
• Juscelino é lançado candidato à presidência pelo PSD, em 1965.
• Começa a rebelião dos marinheiros.
• No dia 30 de março, Jango discursa no Automóvel Clube, no Rio, durante assembléia de sargentos, soldados e marinheiros.
• O general Mourão Filho, comandante da 4ª Região Militar (Juiz de Fora, Minas), rebela-se e comanda a sua tropa em direção ao Rio.
• Goulart refugia-se no Rio Grande do Sul, fugindo depois para o Uruguai.
• Decretado o Ato Institucional (AI). São cassados 40 mandatos.
• O Congresso elege indiretamente, em abril, o general Castello Branco à presidência — José Maria de Alkmin (PSD), ex-ministro da Fazenda de JK, é o vice —, para exercer o poder até 31 de janeiro de 1966, quando seria empossado seu sucessor a ser eleito pelo sufrágio popular. Está nas ruas a campanha JK-65.
• O senador Juscelino Kubitschek (GO-PSD) tem o mandato cassado por 10 anos.
• Congresso prorroga, em julho, o mandato de Castello até 1967.
• O jornal Correio da Manhã denuncia torturas.
• Octavio Gouvêa de Bulhões e Roberto Campos assumem, respectivamente, os ministérios da Fazenda e do Planejamento.
• Lançado o Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG), para conter a inflação e promover o crescimento econômico, criando as bases do futuro “milagre”.
• Sancionada nova lei de remessa de lucros. Surge o Banco Nacional da Habitação. Instituída a correção monetária.
• Criado o Banco Central do Brasil em substituição a Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), instituída em 1945 para exercer o controle monetário.
• PIB de 3,4% e inflação de 92,1%.

1965 |
• Em abril são modificados os critérios de cálculo do índice do custo de vida, calculado pelo IBRE.
• O governo obtém um crédito de US$ 125 milhões do FMI.
• Lacerda pede o fim do PAEG e as demissões de Bulhões e Roberto Campos.
• Controle de preços sistemático sobre a indústria através da Comissão Nacional de Estímulo à Estabilização de Preços (Conep), um departamento da Sunab.
• A oposição elege dois governadores: Negrão de Lima, na Guanabara, e Israel Pinheiro, Minas Gerais — políticos do PSD e ex-colaboradores de JK.
• Baixado o AI-2: eleição indireta (pelo Congresso) para presidente e fim dos partidos — surge o bipartidarismo, com a situacionista Aliança Renovadora Nacional (Arena) e o oposicionista Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
• Adota-se “a inflação corretiva” com aumentos nos preços artificialmente represados — tarifas públicas, câmbio, trigo, gasolina e outros produtos.
• PIB de 2,4% e inflação de 34,3%.

1966 |
• É criada dentro do IBRE a EPGE – Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas, que mais tarde transformou-se em unidade autônoma.
• Criada a Sondagem da Indústria, com periodicidade trimestral – Primeira pesquisa do gênero na América Latina.
• As eleições para governadores passam a ser pelas assembléias legislativas estaduais.
• Em julho, Costa e Silva sofre atentado a bomba em Recife e, em outubro, é eleito indiretamente pelo Congresso presidente da República, tendo como vice o udenista mineiro Pedro Aleixo. O MDB se abstém de votar.
• Unificação da Previdência (INPS).
• Criação de um mercado para títulos da dívida pública (com a introdução da correção monetária).
• Fim da estabilidade no emprego após 10 anos de trabalho (substituída pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
• Lançamento das cadernetas de poupança e do financiamento da casa própria.
• PIB de 6,7% e inflação de 39,1%.

1967 |
• Nova Constituição é promulgada.
• O cruzeiro (Cr$) perde três zeros para dar lugar a outra moeda, o cruzeiro novo (NCr$) —Cr$ 1.000 vale NCr$ 1.
• O general Costa e Silva assume a presidência da República.
• Delfim Netto ocupa o Ministério da Fazenda.
• Lançado o Programa Estratégico do Desenvolvimento, com a finalidade de resolver os problemas relacionados com a estrutura e o financiamento da comercialização de alimentos e a eliminar os principais pontos de estrangulamento da infra-estrutura, da produção industrial e do mercado interno.
• Lacerda, Juscelino e Goulart criam a Frente Ampla.
• Guerra dos Seis Dias no Oriente Médio.
• Na Bolívia, Guevara é preso e morto pelo Exército.
• Os manufaturados produzidos para exportação ganham isenção de impostos.
• “Exportar é a solução” domina o discurso na área econômica.
• PIB de 4,2% e inflação de 25%.

1968 |
• A Marinha cria um centro de estudo de computadores.
• No Rio de Janeiro, “Passeata dos 100 mil” contra a ditadura.
• Criado o Conselho Interministerial de Preços (CIP).
• O jornal Correio da Manhã denuncia o caso Para-Sar.
• Em discurso na Câmara, o deputado Márcio Moreira Alves (MDB-GB) indaga: “Quando o Exército não será um valhacouto de torturadores?”.
Um derrame incapacita Oliveira Salazar, há 42 anos no poder em Portugal.
• Cai o Congresso da UNE, em Ibiúna (SP). São presos cerca de 900 estudantes, entre os quais José Dirceu.
• O governo pede e a Câmara nega licença para processar o deputado Moreira Alves.
• Os americanos elegem Richard Nixon presidente.
• Um computador com teclado e mouse é apresentado nos EUA.
• Promulgado o Ato Institucional nº 5 que dá poderes excepcionais ao governo. JK e Lacerda, entre centenas de pessoas, são presos. O Congresso é fechado.
• Começa o “milagre econômico”:
• PIB de 9,8% e inflação 25,4%.

1969 |
• Criado um novo Índice de Preços por Atacado.
• Os Índices de Preços Agrícolas passam a ser divulgados na Conjuntura Econômica.
• Três ministros do STF, um do STM e 39 parlamentares são cassados.
• Em Itaboraí (RJ), inaugurada estação de satélite da Embratel.
• A economia crescerá 10% ao ano, promete o ministro Delfim Netto.
• Fundado o Cebrap por professores expulsos da USP, entre os quais Fernando Henrique Cardoso.
• Derrame incapacita Costa e Silva de exercer a presidência. Os militares ignoram o vice Pedro Aleixo e uma Junta Militar, formada pelos ministros das Forças Armadas, passa a governar.
• A emenda constitucional nº 1 reescreve a Constituição de 1967 e cria, por exemplo, a figura do decurso de prazo para os decretos-lei — se o decreto encaminhado pelo governo ao Congresso não for votado em 45 dias, entra automaticamente em vigor.
• Charles Elbrick, embaixador dos EUA, é seqüestrado. Para libertá-lo, o governo concorda em enviar para o exílio 15 presos políticos, entre os quais José Dirceu.
• O governo decreta a Lei de Segurança Nacional.
• O general Médici é escolhido pelo Alto Comando do Exército candidato à presidência, em setembro, e eleito pelo Congresso (reaberto), em outubro, para mandato de cinco anos.
• Morre Costa e Silva.
• PIB de 9,5% e inflação de 19,3%.

1970 |
• O Índice de Preços por Atacado passa a ter novas ponderações.
• A Bolsa de Valores do Rio de Janeiro bate recorde de volume de transações negociando Cr$ 24 milhões num só dia.
• O Brasil obtém o maior empréstimo concedido até então pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) a países da América Latina: US$ 66,5 milhões para o complexo hidrelétrico de ilha Solteira.
• Mario Henrique Simonsen assume a presidência da recém-criada Fundação Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral).
• O governo anuncia a construção da estrada Transamazônica.
• Surge a expressão “ninguém segura este país”.
• O FMI informa que o Brasil é o primeiro país latino-americano a ultrapassar a cifra de US$ 1 bilhão em suas reservas de moedas fortes.
• Seqüestrados os embaixadores alemão e suíço, trocados, respectivamente, por 40 e 70 presos políticos.
• PIB de 10,4% e inflação de 19,3%.

1971 |
• As novas ponderações do IPA, implementadas um ano antes, são republicadas na Revista Conjuntura Econômica.
• O Banco Mundial aprova empréstimos de US$ 96 milhões — o Brasil torna-se o maior cliente da instituição, atingindo um montante de compromissos de US$ 1,014 bilhão.
• Populariza-se a expressão “milagre brasileiro” para o desempenho da economia.
• O deputado Ulysses Guimarães assume a presidência do MDB.
• Passado o primeiro e-mail nos EUA.
• Uma equipe americana de tênis de mesa vai jogar na China.
• Moradores de sete capitais já usam o telefone para discagem direta à distância.
• O governo americano desatrela o dólar do padrão ouro.
• PIB de 11,3% e inflação de 19,5%.

1972 |
• Custo de Vida e de construção na Guanabara é reformulado.
• Nixon visita a China.
• Em discurso, o presidente Médici diz: “A economia vai bem, mas o povo vai mal”.
• Surge a teoria do “crescimento do bolo” para depois distribuir.
• Inaugurada a maior refinaria de petróleo do Brasil, em Paulínia (SP), pelos presidentes da República, Médici, e o da Petrobrás, Ernesto Geisel.
• Presos “grampeadores” do comitê do Partido Democrata no edifício Watergate, em Washington.
• Lançado o I Plano Nacional de Desenvolvimento.
• Nixon é reeleito presidente dos EUA.
• Aparecem adesivos com dizeres “Brasil: ame-o ou deixe-o”.
• PIB de 11,9% e inflação de 15,7%.

1973 |
• Começam no Senado dos EUA as investigações do caso Watergate.
• Anunciada a construção da usina hidrelétrica de Itaipu.
• Geisel é o candidato da Arena à presidência.
• O MDB lança anticandidato à eleição presidencial: Ulysses Guimarães.
• Golpe militar no Chile termina com a morte do presidente socialista Salvador Allende e a ascensão do general Augusto Pinochet.
• Israel derrota as tropas invasoras da Síria e do Egito. Em represália, países árabes decretam um boicote de petróleo aos aliados de Israel. O preço do barril salta de US$ 2,90 para US$ 11,65.
• Criada a Siderbrás.
• PIB de 13,9% e inflação de 15,6%.

1974 |
• Índice de preços ao consumidor na Guanabara é reformulado novamente.
• Inauguração do curso de doutorado da EPGE – Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas.
• Aberta ao tráfego a Ponte Rio-Niterói.
• O general Ernesto Geisel deixa a presidência da Petrobrás e, eleito pelo Congresso, assume a da República. Promete distensão lenta, gradual e segura.
• Sai Delfim Netto, entra Mario Henrique Simonsen no Ministério da Fazenda.
• Lançado o II Plano Nacional de Desenvolvimento que prioriza investimentos em energia, para reduzir a dependência externa, nas indústrias e em infra-estrutura.
• O general Sylvio Frota torna-se ministro do Exército com o falecimento do general Dale Coutinho.
• Surge o “petrodólar”, graças ao aumento da receita obtida pelos países da OPEP.
• A Petrobrás descobre petróleo na bacia de Campos (RJ).
• Fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro.
• Brasil reata relações com a China.
• O vice Gerald Ford é o novo presidente dos EUA com a renúncia de Nixon envolvido no caso Watergate.
• Surge a Nuclebrás.
• O MDB ganha as eleições legislativas: conquistou 72,75% dos votos.
• PIB de 8,1% e inflação de 26,9%.

1975 |
• Índices de custo de construção na cidade do Rio de Janeiro sofre nova reformulação.
• Tem início a construção de Itaipu.
• Fundada a Microsoft.
• Os americanos deixam o Vietnã.
• Criado o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) para incentivar a produção e a utilização do álcool combustível como substituto da gasolina.
• Restringidas as importações, em especial a de computadores — é a chamada “reserva de mercado”, para atender a nascente indústria nacional de informática.
• Assinado o acordo nuclear com a Alemanha.
• Firmados contratos de risco entre a Petrobrás e empresas estrangeiras para a prospecção de petróleo.
• PIB de 5,1% e inflação de 29,3%.

1976 |
• Índices de Preços por Atacado passa a ter novas ponderações.
• Criado o Grupo de Informação Agrícola.
• O general Ednardo D’Avila Mello, comandante do II Exército, onde morreram o jornalista Vladimir Herzog e o operário Manoel Fiel, é demitido pelo presidente Geisel. Assume o general Dilermando Gomes Monteiro.
• A Apple Computers já tem o primeiro computador pessoal.
• Governo cria conselho e altera a legislação para dar concessão à fabricação de computadores no Brasil.
• BNDES anuncia plano de desestatização.
• Em acidente na rodovia Rio-São Paulo, morre JK.
• Termina a Guerra do Vietnã.
• Para viajar ao exterior, brasileiro é obrigado a fazer um depósito prévio de Cr$ 12 mil — o dinheiro fica retido por um ano.
• Na China, Mão Tse-tung morre.
• O democrata Jimmy Carter é eleito presidente dos EUA.
• Em dezembro, na Argentina, morre Goulart, o único ex-presidente a falecer no exílio.
• PIB de 4,9% e inflação de 38,8%.

1977 |
• É introduzida na metodologia dos Índices de Preços ao Consumidor, uma fórmula nova de cálculo para o grupo Alimentação.
• As fontes de ponderações aos Índices Agrícolas passam a ser o Censo de 1970.
• Nos EUA, começam as discussões na internet via e-mail.
• Lacerda morre.
• Governo rompe o acordo militar com os EUA que divulgara relatório sobre a situação dos direitos humanos no país.
• Fechado o Congresso e baixado o “Pacote de Abril”, que mantém as eleições indiretas para governadores, cria o “senador biônico” e passa de quatro para seis anos o mandato do futuro presidente da República.
• Greves dos metalúrgicos em São Paulo, liderada por Luiz Inácio Lula da Silva, para reivindicar reajuste salarial.
• Frota é demitido do ministério do Exército. Entra o general Fernando Bethlem.
• PIB de 4,9% e inflação de 38,8%.

1978 |
• No ABC paulista são firmados 166 acordos entre sindicatos e empresas, beneficiando 260 mil trabalhadores. Destaca-se a liderança do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, Luís Inácio da Silva, mais conhecido como Lula, apelido depois incorporado ao nome.
• Proibidas as greves em setores considerados estratégicos para a segurança nacional, entre os quais o de energia.
• Em outubro, nas eleições indiretas para presidente da República no Congresso, o general João Baptista Figueiredo (Arena) recebe 355 votos contra 266 dados ao general Euler Bentes (MDB). E em novembro, nas legislativas, os candidatos da Arena ao Senado conseguem 13,1 milhões de votos e os do MDB, 17,4 milhões; e para a Câmara, respectivamente, 15 milhões e 14,8 milhões.
• Revogado o Ato Institucional nº 5 e restaurado o habeas-corpus.
• PIB de 4,9% e inflação de 40,7%.

1979 |
• Lançada a Carta do IBRE, com o objetivo de oferecer, mensalmente, uma análise econômica.
• Criado o Centro de Estudos Monetários e de Economia Internacional.
• Decidida a estatização em 28 dezembro do ano anterior, em janeiro o governo compra a Light, adquirindo da holding canadense Brascan sua participação na empresa (83% das ações) por US$ 436 milhões.
• O general Figueiredo toma posse na presidência da República e promete manter a abertura política. No ministério, destacam-se Karlos Rischbieter, na Fazenda; Mario Henrique Simonsen, no Planejamento; Delfim Netto, na Agricultura; e Petrônio Portela, na Justiça.
• Lei da Anistia. Volta o pluripartidarismo.
• Rischbieter deixa a Fazenda para Ernane Galvêas. No Planejamento, sai Simonsen e entra Delfim.
• PIB de 6,76% e inflação de 77,3%.

 

1980-2000. A partir de janeiro de 1990, o Índice de Preços ao consumidor passa a registrar as variações de preços observadas nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.
1980 |
• A inflação anual é prefixada em 45% pelo governo.
• Emenda constitucional aprovada pelo Congresso restabelece eleições diretas para governador e acaba com a figura dos senadores nomeados.
• Metalúrgicos do ABC e de mais 15 cidades do interior de São Paulo, cruzam os braços e exigem aumento salarial. Presos e enquadrados na Lei de Segurança Nacional 13 líderes sindicais, entre eles Lula.
• PIB de 9,2% e inflação de 110%.

1981 |
• Uma bomba explode em um carro ocupado por dois militares no estacionamento do Rio Centro, quando era realizado um show comemorativo pelo Dia do Trabalhador.
• Golbery deixa o Gabinete Civil.
• O vice Aureliano Chaves assume a Presidência, em virtude do enfarte do presidente Figueiredo.
• Sindicalistas reúnem-se na 1ª Conferência das Classes Trabalhadoras (Conclat) e formam comissão para constituir a Central Única dos Trabalhadores (CUT).
• PIB de –4,25% e inflação de 95,2%.

1982 |
• O Brasil perde reservas e negocia saídas com os bancos credores e o FMI.
• Delfim Netto obtém empréstimo de US$ 4,4 bilhões junto ao FMI, a ser repassado em quatro parcelas — apenas duas são desembolsadas.
• Proibida pelo governo as coligações partidárias e estabelecida a vinculação de voto.
• As oposições totalizam 25 milhões de votos para governadores, enquanto o PDS conquista 18 milhões.
• PIB de 0,83% e inflação de 99,72%.

1983|
• Em janeiro, o ministro Galvêas assina carta de intenções com o FMI com metas trimestrais. Em fevereiro, maxidesvalorização de 30% do cruzeiro em relação ao dólar e nova versão da carta de intenções.
• Banco Central decide promover a igualdade entre as correções monetária e cambial e a taxa da inflação medida pelo IGP-DI no quadrimestre de março a junho.
• Firmado novo acordo stand-by com o FMI de US$ 5,7 bilhões, dos quais US$ 3,7 bilhões são sacados pelo país.
• Fundada a Central Única dos Trabalhadores (CUT).
• Começa a campanha Diretas-Já. Comício no Rio reúne cerca de um milhão de pessoas, e São Paulo, 1,7 milhão.
• PIB de –2,93% e inflação de 210,99%.

1984 |
• Em outubro o Índice de Preços por Atacado sofre alterações nas fórmulas até então praticadas.
• A Câmara não aprova a emenda das eleições diretas para presidente.
• Negociado novo acordo EFF (Extended Fund Facility, Crédito Ampliado) com o FMI de US$ 5,5 bilhões — metade chega ao país.
• Em Carta de Intenções ao FMI, o governo comunica que a correção monetária será igual ou maior que o IGP-DI expurgado.
• PIB de 5,4% e inflação de 223,8%.

1985 |
• Alteração no cálculo do IGP: a partir de fevereiro de 1985 o Índice Geral de Preços passa a ter na sua composição o Índice Nacional da Construção Civil, no lugar do Índice de Custo da Construção Civil na cidade do Rio de Janeiro.
• Com 480 votos a favor e 180 contra, o governador de Minas Gerais, Tancredo Neves (PMDB), é eleito pelo Congresso presidente da República, derrotando o governista Paulo Maluf (PDS). O PT se abstém de votar.
• Fundado o Partido da Frente Liberal.
• O Movimento dos Trabalhadores Sem-terra (MST) promove seu primeiro Congresso Nacional, em Curitiba.
• Em 14 de março, um dia antes de tomar posse, Tancredo é internado no Hospital de Base, em Brasília. O vice José Sarney (PFL) assume a presidência em 15 de março.
• Tancredo, 75 anos, morre em 21 de abril.
• Mikhail Gorbatchov assume o poder na URSS e lança a perestroika (reestruturação econômica) e a glasnost (abertura política).
• Emenda constitucional aprovada pelo Congresso estende o voto aos analfabetos, legaliza os partidos comunistas e promove eleições diretas para prefeitos das capitais e para presidente.
• Na Fazenda, sai Francisco Dornelles, entra Dílson Funaro.
• Eleições municipais: em São Paulo, Jânio Quadros (PTB) derrota Fernando Henrique Cardoso (PMDB).
• PIB de 7,85% e inflação de 235,1%.

1986 |
• Em janeiro desse ano o INCC passa a ser calculado com a atualização de itens e ponderações. É também expandido o número de localidades de cobertura, passando de 8 para 16 municípios e capitais brasileiras.
• O IBRE perde para o IBGE duas funções oficiais: o levantamento das contas nacionais, do PIB e da renda nacional, e a apuração dos índices de preço (inflação), mas mantém a credibilidade e neutralidade junto ao mercado e à opinião pública de um modo geral.
• Em abril desse ano houve um aumento do número de produtos do IPA, passando de 325 para 423, com base no censo do IBGE de 1985.
• Em fevereiro, o ministro Funaro lança o Plano Cruzado I que congela preços e salários por um ano e acaba com a correção monetária, além de trocar a moeda de cruzeiro (Cr$) para cruzado (Cz$), cortando três zeros. Surgem os “fiscais do Sarney”.
• O PMDB ganha as eleições, conquistando o governo em 22 dos 23 estados.
• Cinco dias depois do pleito, lançado o Plano Cruzado II, que, entre outras iniciativas, libera os preços dos produtos e serviços e altera o cálculo da inflação, que passaria a ter como base os gastos das famílias com renda de até cinco salários mínimos.
• PIB de 7,49% e inflação de 65,3%.

1987 |
• Em fevereiro, o governo suspende os pagamentos da dívida externa.
• Começam os trabalhos da quinta Assembléia Nacional Constituinte.
• Luís Carlos Bresser-Pereira substitui Funaro na Fazenda e lança o Plano Bresser, que congela preços, salários e alugueis por 90 dias, além de aumentar tributos, eliminar subsídios (do trigo, por exemplo) e suspende grandes obras (Ferrovia Norte-Sul). Prevista a flexibilização, depois desse período, com reajustes de preços e salários mensalmente. O indexador salarial será a Unidade de Referência de Preços (URP).
• Lula é lançado candidato à presidência da República pelo PT.
• PIB de 3,53% e inflação de 415,83%.

1988|
• Bresser é substituído por Maílson da Nóbrega no Ministério da Fazenda que anuncia uma política econômica denominada “feijão com arroz”.
• Surge o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).
• Aberto crédito de US$ 1,4 bilhão pelo FMI — o Brasil recebe US$ 477 milhões.
• Assembléia Constituinte promulga a nova Constituição.
• Três operários morrem durante a invasão por tropas do Exército da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, para reprimir uma greve.
• Nas eleições municipais, o PMDB perde dois terços do eleitorado e o PT e o PDT conquistam as principais capitais.
• PIB de –0,06% e inflação de 1.037,56%.

1989 |
• Em janeiro, Maílson anuncia o Plano Verão: cria o Cruzado Novo (NCz$), que vem sem três zeros; congela preços; extingue a correção monetária; e propõe privatização de estatais e cortes nos gastos públicos.
• Queda do Muro de Berlim, um dos símbolos da Guerra Fria entre EUA e URSS, dá início à reunificação da Alemanha.
• Na primeira eleição direta à presidência da República após a ditadura militar, Fernando Collor de Mello (PRN) derrota, com 53,03% dos votos contra 46,97%, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.
• PIB de 3,16% e inflação de 1.782,89%.
• Em maio foi iniciado o cálculo do IGP, na versão M (IGP-M), para atender as necessidades do mercado, com o cálculo entre 21 do mês anterior e 20 do mês corrente e divulgação no penúltimo dia útil do mês.

1990|
• A partir de janeiro de 1990, o Índice de Preços ao consumidor passa a registrar as variações de preços observadas nas cidades do Rio de Janeiro e SP.
• O novo índice é denominado IPC-Brasil e apresenta uma estrutura de pesos extraída de pesquisa de orçamentos familiares, recém – concluída para uma população-objetivo com rendimentos mensais entre 1 e 33 salários mínimos.
• Iniciou-se a série histórica do IPC-BR-DI, cobrindo os municípios do Rio de Janeiro e São Paulo. Esse índice passou a ser o representante do varejo, com peso de 30% na composição do IGP-DI.
• Um dia após ser empossado, em 15 de março, o novo presidente anuncia o Plano Brasil Novo (ou Collor), engendrado pela equipe da ministra Zélia Cardoso de Mello, da Fazenda: sai o cruzado novo (NCr$) e volta o cruzeiro (Cr$); bloqueio por 18 meses dos depósitos em contas correntes e cadernetas de poupança superiores a 50 mil cruzados novos; novo congelamento de preços e salários; e fim de subsídios e incentivos fiscais.
•  Guerra do Golfo.
• Extinto o Conselho Interministerial de Preços (CIP).
•  Lançado o Programa Nacional de Desestatização.
•  PIB de –4,35% e inflação de 1.476,71%.

1991|
• Lançado o Plano Collor 2. Novo congelamento de preços e salários. Sobem os juros. Tarifas de importação são reduzidas. Taxa Referencial de Juros (TR) no lugar da BTN.
• Primeiras denúncias de corrupção no governo.
• Dissolução da União Soviética.
• O Código de Defesa do Consumidor passa a vigorar.
• Na Fazenda, sai Zélia e entra Marcílio Marques Moreira.
• Fim da Guerra do Golfo.
• Suspeitas de malversação de dinheiro público envolvem ministros, altos funcionários e a primeira-dama Rosane Collor.
• PIB de 1,03% e inflação de 480,23%.

1992|
• Marcílio assina carta de intenção com o FMI, obtendo empréstimo de US$ 2 bilhões.
• Congresso começa a votar as reformas na Constituição. Na área econômica, entre outras medidas, elimina a distinção entre empresa nacional e estrangeira e abre à iniciativa privada atividades antes monopólio do estado, como exploração, pesquisa, lavra e distribuição de derivados de petróleo, gás encanado, telecomunicações e exploração de recursos hidráulicos e minerais.
• Tratado de Assunção cria o Mercosul, com Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
• Em abril, o irmão do presidente, Pedro Collor, denuncia esquema de corrupção comandado por Paulo César Farias, tesoureiro da campanha presidencial de Fernando Collor. Em maio, denúncias começam a ser apuradas em CPI. Em agosto, o presidente da República é incriminado em relatório da CPI e, em setembro, seu tesoureiro é indiciado pela CPI em nove crimes, entre os quais, corrupção, falsificação, exploração de prestígio e formação de quadrilha.
• “Caras-pintadas” (estudantes) pedem nas ruas a deposição de Collor.
• Criada a North American Free Trade Agreement (Nafta), zona de livre comércio que congrega Estados Unidos, México e Canadá.
• Aprovado o pedido de impeachment do presidente na Câmara. O vice Itamar Franco assume a presidência interinamente.
• Senado julga o pedido de impeachment. Collor renuncia, mas a sessão prossegue e ele tem os direitos políticos cassados por oito anos.
• Itamar assume em caráter definitivo.
• De outubro de 1992 a maio de 1993, mudanças na Fazenda: sai Marcílio, entra Gustavo Krause; sai Krause, entra Paulo Haddad; sai Haddad, entra Elizeu Resende; e sai Elizeu, entra Fernando Henrique Cardoso.
• PIB de –0,47% e inflação de 1.157,84%.

1993|
• Em janeiro desse ano a lista de produtos do IPA sobe de 423 para 481.
• Instituto de Pesquisas Econômica Aplicadas (IPEA) revela que 31,6 milhões de brasileiros passam fome.
• Lançada a Ação da Cidadania contra a Miséria e Pela Vida, ou Campanha contra a Fome, pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho.
• Em Plebiscito, a monarquia e o parlamentarismo são derrotados, sendo mantida a república e o presidencialismo.
• Decretada a prisão de Paulo César Farias.
• Denunciadas irregularidades no orçamento, sendo acusados seis ministros, três governadores e 23 deputados e senadores. Aberta a CPI.
• A Companhia Siderúrgica Nacional é privatizada.
• O Tratado de Maastricht dá origem à criação da União Européia. A Comunidade Européia, antes apenas uma zona de livre comércio, dá início a sua unificação política e econômica.
• Foi lançado em setembro a versão 10 do IGP (IGP-10).
• PIB de 4,67% e inflação de 2.708,17%.

1994|
• IBRE divulga os novos pesos que estão sendo utilizados na construção dos Índices de Preços ao Consumidor, componentes do IGP-DI, IGP-M E IGP-10.
• Com a função de implantar a moeda única (euro), é criado o Instituto Monetário Europeu, futuro Banco Central Europeu.
• Criada a Unidade Real de Valor (URV), novo indexador “descontaminado” da perda de valor do cruzeiro real e igual a um dólar (CR$ 2.750).
• Na Fazenda, Rubens Ricupero no lugar de Fernando Henrique.
• Entra em vigor o Plano Real. A nova moeda passa a ser o real (R$).
• Na Fazenda, Ciro Gomes entra e sai Ricupero.
• Crise cambial no México, o “efeito tequila”, afeta a economia dos países emergentes.
• Fernando Henrique Cardoso (PSDB-PFL) é eleito presidente no primeiro turno. Obtém 54,3% dos votos contra 27% de Lula (PT).
• Criada a Área de Livre-Comércio das Américas (Alca), para funcionar em 2005.
• Decretada pelo Banco Central intervenção no Banespa e Banerj.
• PIB de 5,33% e inflação de 1.093,89%.

1995|
• Fernando Henrique assume o governo. Pedro Malan é o ministro da Fazenda.
• O Mercosul passa a funcionar.
• Começa a operar a Organização Mundial do Comércio (OMC).
• Em novembro, surge o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer)
• A Petrobras perde o monopólio da pesquisa, lavra, refino e transporte do petróleo e gás natural, por decisão do Senado.
• PIB de 4,42% e inflação de 14,78%.

1996|
• Redução de 481 para 477 a lista de produtos do IPA.
• A Light Serviços de Eletricidade S.A. é leiloada na Bolsa de Valores do Rio por US$ 2,26 bilhões.
• PIB de 2,15% e inflação de 9,34%.

1997|
• O Congresso aprova a emenda constitucional da reeleição à presidência da República.
• O Banco Central intervém no Bamerindus.
• Privatização da Companhia Vale do Rio Doce e concessão da malha ferroviária.
• Em agosto, a Bolsa de Valores de Nova York registra queda de 3,11% em um só dia, reflexo da crise na Tailândia, Filipinas e Malásia. Em outubro, queda nas bolsas do mundo — a de Nova York sofre queda de 7,18% — por conta do ataque especulativo ao dólar de Hong Kong.
• PIB de 3,38% e inflação de 7,48%.

1998|
• As reservas monetárias brasileiras caem de US$ 74 bilhões, em abril, para US$ 42 bilhões em outubro.
• Por R$ 22 bilhões, é vendido o sistema Telebrás, dividido em 12 empresas de telefonia.
• Novamente em primeiro turno, com 54,27% dos votos válidos contra 31,71% de Lula, Fernando Henrique se reelege presidente.
• Em razão das crises asiática (outubro de 1997) e russa (agosto de 1998), o governo negocia acordo com o FMI, para receber US$ 18 bilhões. Viriam mais US$ 23,5 bilhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento, do Banco Mundial e do Banco de Compensações Internacionais.
• PIB de 0,04% e inflação de 1,70%.

1999|
• Foi criado o Centro de Estatísticas e Análises Econômicas, que juntou o Banco de Dados com o Centro de Estudos Tendências.
• Fernando Henrique assume segundo mandato prometendo gerar mais emprego.
• Doze países da Europa adotam o euro.
• O real é desvalorizado em relação ao dólar. Gustavo Franco sai da presidência do Banco Central. Assume Francisco Lopes depois substituído por Armínio Fraga.
• Estouram os escândalos dos bancos Marka e Fonte Cidan.
• O governador Itamar Franco decreta, por 90 dias, a moratória de Minas Gerais.
• PIB de 0,25% e inflação de 19,98%.

2000+. Em 2002 foi criado o IPC-S, Índice de Preços ao Consumidor Semanal baseado na coleta de quase 200 mil cotações de 425 produtos e serviços.

2000 |
• Criação do Centro de Políticas Sociais (CPS).
• Primeiro Fórum Social Mundial em Porto Alegre (RS).
• Em leilão, o banco espanhol Santander adquire o Banespa.
• Nas eleições para prefeitos e vereadores em 5.548 municípios, o PT obtém o maior número de votos, conquistando o governo de 17 de 62 cidades mais importantes.
• Depois de uma apuração colocada sob suspeita, o republicano George W. Bush é considerado presidente dos EUA, derrotando o democrata Al Gore.
• PIB de 4,31% e inflação de 9,81%.

2001 |
• Redução do IPA de 477 itens para 462.
• O presidente Fernando Henrique proclama: “Exportar ou morrer”.
• Em 11 de setembro, terroristas da Al-Qaeda, sob orientação de Osama Bin Laden, projetam dois aviões com passageiros contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e as derrubam. Um outro atinge parcialmente o Pentágono e um quarto cai numa zona rural da Pensilvânia.
• Os EUA invadem o Afeganistão por abrigar Bin Laden.
• “Apagão”: crise no setor de abastecimento de energia elétrica – o consumo é reduzido em 20%. Governo culpa a falta de chuvas.
• Crise econômica na Argentina. O presidente Fernando De La Rúa renuncia, caindo também o ministro da Economia, Domingo Cavallo.
• PIB de 1,31% e inflação de 10,40%.

2002 |
• O governo consegue empréstimo de US$ 30,4 bilhões do FMI. Compromete-se a perseguir um superávit primário de 3,75% do PIB nos próximos três anos, assumir compromisso com metas inflacionárias e limite máximo de gastos de US$ 3 bilhões com as intervenções no câmbio a cada 30 dias.
• Na Argentina, o presidente Eduardo Duhalde lança pacote econômico, provocando a desvalorização do peso depois de 10 anos de paridade cambial com o dólar. O governo recorre ao FMI sem sucesso. Roberto Lavagna assume o Ministério da Economia – é o sexto em 13 meses.
• FMI considera “prudente e cauteloso” o programa econômico do candidato do PT à presidência.
• Lula (PT-PL) conquista 61,3% dos votos válidos e derrota o candidato governista José Serra (PSDB-PMDB).
• Foi criado o IPC-S, Índice de Preços ao Consumidor Semanal baseado na coleta de quase 200 mil cotações de 425 produtos e serviços.
• PIB de 2,66% e inflação de 26,41%.

2003 |
• Lula assume a presidência com o compromisso de acabar com a fome e promete espetáculo do crescimento. Antonio Palocci no Ministério da Fazenda e Henrique Meirelles no Banco Central.
• Lançado o programa Fome Zero.
• Lula presente ao III Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, de onde segue para Davos, Suíça, para o Fórum Econômico Mundial.
• Banco Mundial concede empréstimo de US$ 500 milhões ao Brasil.
• Tropas dos EUA invadem o Iraque sob a justificativa de que o governo de Saddan Hussein produzia e estocava armas de destruição em massa.
• Na Argentina, Néstor Kirchner, do Partido Peronista, assume a presidência e promete não pagar a dívida externa para evitar o empobrecimento da população.
• Reformas da Previdência e Tributária.
• Governo lança o Bolsa-Família.
• PIB de 1,15% e inflação de 7,67%.

2004 |
• O vice-presidente José Alencar e o chefe da Casa Civil, José Dirceu, criticam as altas taxas de juros.
• George W. Bush é reeleito presidente dos EUA.
• Juros sobem – começou o ano em 16,5% e terminou em 17,75%.
• PIB de 5,71% e inflação de 12,14%.

2005 |
• Criada a Sondagem do Consumidor, com periodicidade mensal.
• Neste ano a Sondagem da Indústria muda sua periodicidade de trimestral para mensal.
• José Alencar continua a criticar os juros elevados.
• Lula promete manter política econômica.
• Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, o deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, denuncia um esquema corrupção no Congresso Nacional, com o PT pagando mensalmente R$ 30 mil a deputados aliados. O esquema, disse ele, era coordenado por José Dirceu, chefe da Casa Civil, e Delúbio Soares, tesoureiro do PT. O dinheiro vinha do publicitário Marcos Valério de Souza.
• Congresso cria a CPI Mista dos Correios.
• O deputado José Dirceu é afastado da Casa Civil e volta para Câmara.
• A revista “Veja” liga Valério à direção do PT, através de um empréstimo de R$ 2,4 milhões obtido no BMG de Belo Horizonte. José Genoino deixa a presidência do PT. Delúbio toma igual caminho. E mais tarde, Silvio Pereira, secretário-geral.
• Valério diz que emprestou dinheiro às campanhas do PT. Delúbio afirma que eram “recursos não-contabilizados” (leia-se caixa 2).
• O presidente do PSDB, senador Eduardo Azeredo, também recebeu empréstimos de Valério para o caixa 2 nas eleições de 2001.
• Em setembro, Jefferson é cassado por seus pares na Câmara. Em dezembro, José Dirceu. Perdem os direitos políticos por 10 anos.
• Rogério Buratti acusa Palocci, de quem foi assessor na prefeitura de Ribeirão Preto, de receber R$ 50 mil por mês de empreiteiras quando prefeito da cidade do interior paulista entre 2001 e 2002. Palocci nega.
• Febre aftosa compromete exportação de carne.
• PIB de 2,94% e inflação de 1,22%.

2006 |
• Alteração do IPA de 462 itens para 460.
• O governo boliviano anuncia a estatização de unidades da Petrobras.
• Palocci pede afastamento da Fazenda sob suspeita de ter autorizado a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que o acusara de freqüentar uma mansão em Brasília que reunia lobista. Palocci nega. Assume Guido Mantega.
• Comandado pelo presidente Evo Morales, o Exército da Bolívia ocupa instalações da Petrobras.
• Petrobras anuncia auto-suficiência do Brasil na produção de petróleo.
• Em São Paulo, petistas são presos pela Polícia Federal com R$ 1,7 milhão que seriam usados para pagar denúncias contra o candidato ao governo paulista José Serra (PSDB).
• Boeing da Gol cai ao norte de Mato Grosso, matando 154 pessoas.
• Com 60,83% dos votos válidos, Lula conquista a reeleição à presidência ao derrotar Geraldo Alckmin (PSDB).
• Atrasos e cancelamentos de vôos causam o “apagão”, provocando protestos nos aeroportos.
• Na presidência da Venezuela desde 1998, Hugo Chávez é reeleito por mais seis anos com 62% dos votos. Promete aprofundar a revolução socialista e alterrar a Constituição para tornar indefinida a reeleição à presidência.
• PIB de 3,70% e inflação de 3,79%.

2007 |
• Governo lança o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), prometendo investir R$ 503,9 bilhões nos próximos quatro anos.
• Supremo Tribunal Federal acolhe denúncia contra 40 “mensaleiros”.
• “Apagão” no setor aéreo continua.
• Avião da TAM desliza pela pista do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e bate num prédio. Morrem 187 pessoas que estavam a bordo e no solo.
• Nelson Jobim substitui Waldir Pires no Ministério da Defesa.
• Renan Calheiros, presidente do Senado, é acusado, mas absolvido pelo plenário, de utilizar um lobista para pagar a pensão de sua filha, fruto de uma relação extra-conjulgal. Envolvido entre outras denúncias, pede licença.
• O governo se empenha para aprovar no Senado, antes de terminar o ano, a prorrogação até 2011 a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
• O barril de petróleo ultrapassa os US$ 90.
• Crise no abastecimento de gás.
• A revista Conjuntura Econômica, editada a cada mês ininterruptamente e sempre pela Fundação Getulio Vargas, completa 60 anos de existência.

2008 |
• Reestruturação do IPA, com base na CNAE 1.0 . Mudança da estrutura de 460 para 356 itens.

2009 |
• Lançada a Sondagem de Investimentos da Indústria.
• Criação do CODACE – Comitê de Datação de Ciclos Econômicos, que tem como finalidade estabelecer cronologias de referência para os ciclos econômicos brasileiros.

2010 |
• Lançado, em janeiro deste ano, o novo portal do Ibre/FGV.
• Em abril de 2010 a nomenclatura do IPA foi modificada de Índice de Preços por Atacado para Índice de Preços ao Produtor Amplo, mas manteve-se a sigla IPA.
• Em junho foi criada a Sondagem de Serviços – Índice de Confiança de Serviços (ICS).

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BLOG DO LEN: LULA X FHC – INDICADORES DE ATIVIDADE

Uma das falácias mais repetidas pela velha mídia é a de que o presidente Lula teria mantido os fundamentos macro-econômicos definidos pelo governo FHC desde o plano Real e esse seria o motivo do seu sucesso. Provavelmente se fosse vivo, até Goebbels se surpreenderia de estarem levando a ferro e fogo sua tese na qual a mentira se for repetida à exaustão passa a ser considerada uma verdade inquestionável.

Quem tem memória e acompanhou com preocupação tudo o que aconteceu na política do país pelo menos nos últimos 16 anos sabe que as bases macro-econômicas que Lula prometeu manter na histórica “Carta ao povo Brasileiro” não eram políticas de estado de FHC  e muito menos implantadas no plano Real e sim imposições do FMI para poder mais uma vez tirar o país do fundo do poço que a administração tucana o enfiou por mais de uma vez.

A empulhação mentirosa cuja musa é a Míriam Leitão, defende a tese que todo o sucesso do governo Lula é fruto do que foi plantado pelo FHC e que este último apenas teve um azar danado com as condições internacionais mas, os fatos e dados que eles tanto fogem mostram que essa tese não se sustenta em cinco minutos de discussão. Os números mostram que durante o governo FHC o país viveu dois momentos distintos: no primeiro mandato a ilusão de um cenário artificializado pela âncora cambial que resultou no maior derrame nas reservas internacionais que se tem conhecimento na história do país e no segundo onde o país viveu um caos e perdeu tudo que tinha conquistado no primeiro momento do Real, tendo que ser salvo várias vezes pelo FMI, que além de pagar nossas contas ditava como deveríamos conduzir a economia e limitando investimentos sociais. O governo FHC foi marcado pela estagnação de uma economia que crescia bem menos que a inflação, pelo apagão de investimentos que até hoje sentimos as consequências e pela quantidade de desempregados que lançou na sociedade porque a economia estagnada não gerava os empregos para suprir a demanda dos novos trabalhadores que chegavam ao mercado de trabalho. Separamos algumas séries históricas de indicadores econômicos e de atividade para poder mostrar um pouco  como o país se comportou nesses parâmetros durante os dois governos, e eles mostram claramente uma mudança de sinal que apenas acontece quando se imprime uma mudança real na forma e responsabilidade como é tratada a coisa pública.

O gráfico abaixo mostra como variaram nos dois governos: a taxa de juros selic definida pelo Banco Central, a taxa de inflação pelo IPCA e a Taxa de juros real (SELIC – IPCA), todas com intervalos mensais anualizados. O gráfico mostra os picos de taxas de juros das crises de 97 e 99 e da liberação do câmbio no início do segundo mandato de FHC, o que significa que em crises bem menores que a de 2009, o país teve que tomar medidas mais drásticas pois a nossa economia tinha se tornado fragilizado com a sangria de nossas reservas, que foi o custo da reeleição do FHC. Também é importante salientar que durante todo o seu governo manteve a taxa Selic em torno de 20% ao ano, mostrando como o país pagou o preço da estagnação para sustentar um controle inflacionário apoiado em fundamentos equivocados, além de evidenciar a incoerência dos tucanos quando hoje criticam os juros reais de pouco mais de 4% ao ano.

Um indicador de atividade que mostra bem a saúde da economia de um país é o  índice de utilização de capacidade instalada da indústria que é uma espécie de termômetro da confiança do investidor e da demanda de nossos produtos. O aumento da utilização da capacidade instalada mostra que houve um aumento na demanda pelos produtos fabricados ou um acréscimo de investimento que significa que o empresário confia que o mercado consumidor se aquecerá em breve. Também é um indicador que revela em vários momentos no governo FHC (96, 97, 99, 2001) a utilização da capacidade instalada do país esteve em níveis alarmantes comuns a períodos de recessão econômica, e que no Governo Lula apenas na grande crise de 2009 a utilização caiu bruscamente mas, rapidamente retomou a trajetória de crescimento. Para facilitar a compreensão da tendência de queda do Governo FHC e de subida do governo Lula, nós traçamos uma linha calculada por polinômio (opção do Excel 2007).

Para completar, a série histórica da pontuação do índice Bovespa que é um indicador que reflete a forma como os investidores internacionais melhoram suas posições em relação ao potencial do país enquanto bom investimento. O investidor internacional aumenta os seus investimentos à medida que tem confiança nos fundamentos da economia e esse aumento é notável após 2003 e mesmo sofrendo um baque durante a crise de 2009, logo recuperou a trajetória de crescimento, principalmente depois que o país demonstrou durante a crise que realmente é digno da confiança depositada até aquele momento. Um dado de extrema importância que mesmo com a diminuição gradativa da taxa de juros reais os investimentos continuaram crescendo o que mostra que além de serem muitos superiores, a qualidade também aumentou porque se antes vinham atrás de especulação e lucro fácil pelas taxas de câmbio exorbitantes, agora passam a procurar um mercado promissor com os investimentos feitos a prazos maiores.

Espero que esse artigo tenha fornecido subsídios para futuras discussões sobre o assunto, pois é importante ter argumentos para rebater os adeptos da verdade única que usurpa o sucesso do governo do presidente Lula tentando atribuí-lo a um governo que fracassou. Todos os artigos dessa série não se tratam de simples comparações de dados dos dois governos, abordamos e aprofundamos nos assuntos para não dar margens a contestações e desqualificações, como já aconteceram algumas em comunidades do Orkut mas, que já foram devidamente rebatidas porque nós aqui lidamos com dados reais que podem ser verificados.

Fonte dos dados desse artigo: CORECON/SP – Caminho: Indicadores e Pesquisas / Séries Históricas

Informações adicionais:

  • Nos meses de Dezembro de 94 a junho de 95, a anualização não levou em conta a inflação anterior a julho de 94 para não ser contaminada com a inflação pré-real sem prejuízo da análise dos números
  • O índice Bovespa de Dezembro de 94 a Fevereiro de 97  foram reajustados para que possa ser verificada a sua trajetória pois, em março de 97 A Bovespa promoveu uma divisão do seu índice pelo quociente 10.

O quadro abaixo é uma contribuição do amigo leitor Rogério Bressan, que pesquisou a compilou os dados usando como fonte a revista  Conjuntura Econômica o IBGE e o IPEA.

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BLOG DO LEN LULA X FHC: COMBATE À POBREZA

A pobreza é a maior de todas as mazelas do nosso país, é a chaga aberta que nos faz lembrar que por mais que o país demonstre essa pujança econômica ainda temos muitas pendências para resolver antes de nos considerarmos uma potência mundial.

Não, não estou querendo salvar o combalido complexo de vira-latas, que é tão difícil de se livrar, esta é apenas uma realidade para a qual não podemos fechar os olhos. Os governantes anteriores trataram os pobres como mão de obra barata e um estorvo para a elite econômica, que preferia quando não tinha que dividir com a “gentalha” o direito de eleger seus governantes. Essa política de governar para os ricos criou um distanciamento cada vez maior entre ricos e pobres, e excluiu os últimos do mercado consumidor, condenando o país a anos de crescimento econômico pífio.

No final do governo do presidente Itamar Franco, com o controle inflacionário, pouco mais de 18% das pessoas miseráveis ultrapassaram a linha da pobreza, e depois de ficar 7 anos estagnada durante o governo FHC sem apresentar melhora, a diminuição da miséria retornou a partir de 2003 e vem mantendo trajetória de queda progressiva desde então.

Redução da Pobreza entre 1993 e 2009 (Clique na imagem para ver com resolução superior)

O gráfico acima mostra que após a queda da pobreza da ordem de 18,47% no final do mandato de Itamar Franco, o governo FHC é marcado pela estagnação da taxa, que sofre nova queda ainda maior a partir de 2003, e vem se confirmando ano a ano segundo dados da série histórica do PNAD,e que só até 2008 já havia sofrido redução de 43%, mostrando como são falaciosos os argumentos de quem afirma que o decréscimo da pobreza é uma constante entre os dois governos. Não é, e esse gráfico prova isso.

Evolução do Rendimento médio mensal do Brasileiro (Clique na imagem para ver com resolução superior)

Outro parâmetro que mostra a diferença de resultados entre os dois governos e que normalmente reflete um certo grau de satisfação pública é o rendimento médio do Brasileiro. Veja o gráfico abaixo:

O gráfico de variação do rendimento médio mensal mostra claramente a queda dos rendimentos dos brasileiros durante todo o governo FHC e depois recuperação durante Lula. Entre 2003 e 2008 o ganho trabalhista no nordeste chega a 7,3% ao ano, desmentindo a tese que os ganhos se devem apenas as transferencias de renda do “assistencialismo” oficial.

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BLOG DO LEN LULA X FHC GERAÇÃO DE EMPREGOS E DESEMPREGO

A geração de Empregos formais e a taxa de semprego certamente são dois dos indicadores que melhor refletem o nível de satisfação de uma população com a situação do seu país. O primeiro deve ser o maior possível, pois reflete aumento na oferta de empregos e ocupação, já o segundo, de preferencia que seja o mais baixo, ninguém quer taxa de desemprego alta, e os dois indicadores geralmente mostram trajetórias inversas, embora não se possa tratar como uma proporcionalidade, porque o cálculo da taxa de desemprego não leva em conta apenas a ocupação, mas também a procura, que não necessariamente será proporcional a oferta.

Nesse artigo verificamos entre outras coisas que no primeiro mandato do governo FHC mais de um milhão de vagas de emprego foram destruídas, provocando um deficit enorme porque o mercado de trabalho era cada vez mais pressionado com as pessoas que a cada ano entram na faixa etária apta ao trabalho. No balanço de oito anos de governo FHC foram criadas menos de 800.000 vagas novas de trabalho, o que evidencia quanto esse governo fez mal para o país e para os brasileiros. Em relação a evolução das taxas de desemprego nas regiões metropolitanas e distrito federal do DIEESE, o gráfico mostra a inversão da trajetória a partir de 2003 e estabilização em patamar mais baixo a partir de 2008.

Geração de empregos formais (clique na imagem para ver com melhor resolução)

O gráfico acima revela uma diferença espantosa na quantidade de empregos formais criados durante os dois governos, evidenciando uma disparidade muito grande entre as políticas voltadas ao incentivo para a geração de empregos e de negociações para evitar demissões nos governos FHC e LULA, mostrando como são falaciosos os argumentos de que o mérito do governo LULA foi ter dado continuidade as ações do FHC.

Em 8 anos de FHC foram gerados aproximadamente 797 mil novos empregos contra 8, 721 milhões em 7 anos do governo lula, um aumento até agora de 994% que pode aumentar a medida que as previsões que nesse serão criados perto de 2 milhões de novas vagas. Se formos considerar médias anuais e mensais, o gráfico abaixo mostra a diferença abissal entre os dois governos:

FHC LULA
Média Anual de empregos gerados 99.625 1.245.857
Média Mensal de empregos gerados 8.302 103.821

Evolução temporal da taxa de desemprego (clique na imagem para ver com melhor resolução)

O gráfico acima mostra a evolução das taxas de desemprego nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, São Paulo, Recife, Salvador, Porto Alegre e no Distrito Federal, que vinham em um patamar superior durante o governo FHC, modificando para uma trajetória de decaimento a partir de 2003, chegando ao mais baixo nível em 2008, se estabilizando nesse patamar em 2009, apesar da grave crise econômica mundial. Em todos as regiões metropolitanas e no Distrito Federal as curvas tem trajetórias semelhantes mostrando que não se trata apenas de um movimento regional ou sazonal.

Você já leu os demais artigos dessa série? leia mais aqui. A série continua, porém com um maior distancamento entre os arquivos, pois minhas férias estão acabando nesse final de semana e o tempo para pesquisa diminui por causa disso.

Legenda:

*Com estimativa mais provável da geração de empregos no ano de 2009;

**Média aritmética de 7 anos de governo (sem levar em consideração 2010);

***Taxa de desemprego de 2009 baseada na média aritmética das taxas dos 10 primeiros meses do ano, que estavm disponíveis no momento da consulta.

Referências:

Geração de empregos formais MTE/CAGED.

Taxa de desemprego das regiões metropolitanas e distrito federal DIEESE

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BLOG DO LEN LULA X FHC PIB E DÍVIDA PÚBLICA

Dando sequência a comparação dos governos Lula e FHC, o assunto de mais um post dessa série é a verificação da variação anual do Produto Interno Bruto e a evolução da relação dívida/PIB desde 1995. Para não ser acusado de inchar o resultado do presidente Lula, estou acrecentando a estimativa de variação do PIB no ano de 2009, com a perspectiva mais pessimista que é a do mercado, com contração de 0,23% em relação ao ano anterior. Podería também usar as perspectivas de variação do PIB para 2010, que tanto o Banco Central quanto o mercado financeiro projetaram para 5%, mas novamente para evitar desqualificações, para efeitos de variação do PIB vão ser usados os índices oficiais de 1995 a 2008 e a estimativa de mercado para 2009. (CLIQUE NAS IMAGENS PARA VER COM MELHOR RESOLUÇÃO).

A Variação do PIB

O gráfico mostra como o país cresceu de maneira pífia no período FHC, com dois momentos claros de estagnação entre 1998 e 1999 e entre 2000 e 2002. Em oito anos de governo, seis deles tiveram crescimento abaixo dos 3% e a média aritmética da variação do PIB nos oito anos de governo FHC é de 2,29%, o que significa que ficamos quase uma década sem sair do lugar, sem crescer o suficiente para gerar emprego para tantos brasileiros que chegavam ao mercado de Trabalho. No governo Lula a trajetória de crescimento do país foi retomada, e com exceção do primeiro ano de governo, contaminado pela crise herdada do governo anterior, e o ano de 2009, que foi de uma das maiores crises financeiras da história, nos outros anos o país mostrou vigor de crescimento não visto desde a década de 70, durante o chamado “milagre brasileiro”. Em três dos 7 anos avaliados o país apresentou variação de PIB superior a 5% (não visto em nenhum momento do governo FHC), alcançou a média de 3,47% de acréscimo do PIB ao ano, em um aumento de 52% em relação ao período anterior, e essa média certamente vai ser aumentada esse ano, pois todas as previsões do PIB apontam para crescimento de ao menos 5%.

Evolução temporal da relação Dívida Pública/PIB

O gráfico acima mostra a evolução da relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB, que é um indicador que mostra a capacidade que um país tem de manter sua dívida pública sob controle, e quanto menor for essa relação mais saudável e vigorosa é uma economia e a confiança do mercado na capacidade desse país de pagar suas dívidas. O gráfico é inequívoco e fala por si só, o clássico “telhadinho de casa” que evidencia que a relação dívida pública só aumentou no governo FHC, saíndo de aproximadamente 30% no início de mandato e elevando  até valores astrônomicos superiores a 50% (com pico de 56% em setembro de 2002), em um aumento de incríveis 72%. Já no período Lula a trajetória inverteu, e só sofreu um pequeno aumento do final de 2008 até o ano passado por causa da crise, mas de qualquer forma sendo reduzida de 50% para os 44,78% de outubro de 2009, último mês avaliado nesse estudo. O decréscimo da relação dívida/PIB foi de 11% nos 7 anos de governo Lula.

Resumindo:

FHC LULA
Média Crescimento PIB 2,29% 3,47%*
Evolução Relação Dívida/PIB 29,35% – 50,47% ->      + 72% 50,47% – 44,78%**->    – 11%

* Média aritmética dos anos 2002 e 2009, levando em consideração estimativa do mercado para 2009, e sem considerar a de 2010.

** Com base na relação dívida pública de Outubro de 2009 (última aferição observada).

FONTE: todos os dados são referentes ao BC-DEPEC do Banco Central do Brasil e compilados pelo Conselho Regional de Economia de São Paulo.

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BLOG DO LEN LULA X FHC

Motivado pelo ataque cibernético vergonhoso que o jornalista do DIAP Marcos Verlaine sofreu de Ricardo Noblat e sua claque, decidi criar a série: Comparação Lula x FHC para dar continuidade a discussão do post Rebatendo as mentiras da imprensa partidária e seguir com as comparações entre os governo Lula X FHC, que os jornalistas serristas tanto temem e procuram atacar, com as fontes que eles tanto pedem, porque a gente precisa desenhar para esse pessoal entender o que todo brasileiro humilde sabe de cor e salteado sem precisar consultar fonte alguma.

O post de hoje é um comparativo da evolução do salário mínimo nos dois governos, com o aumento real obtido em cada período e a maior cotação de salário mínimo em dolar e em cestas básicas que cada governo conseguiu. Os valores do Dólar no período FHC foram obtidos com data máxima de 07 de janeiro para poder comparar os dois governos em períodos semelhantes e rechaçar a choradeira de sempre que a eleição de 2002 contaminou a cotação da época. A variação da inflação é contada nos dois períodos completos, sendo que a inflação para 2010 é baseada nas projeções do Banco Central. Mais a frente publicaremos outras continuições desse artigo com comparações de outros índices. Abaixo algumas considerações e resumo:

Dados:

  • Salário mínimo governo FHC –  01/01/1995= R$ 70,00 –  2002= R$ 200,00 – variação em 8 anos= R$ 130,00 (186%) que subtraídos de uma inflação* de 100, 66%, dá um aumento real de 85,34%;
  • Dólar** governo FHC = 01/01/1995 = R$ 0,844  07/01/2002= R$ 2,342;
  • Salário Mínimo em Dolar FHC = Melhor cotação- Maio de 1998 = U$ 113,05 (salário R$ 130,00 USD=R$ 1,150);
  • Salário mínimo governo Lula =  01/01/2003= R$ 200,00   01/01/2010= R$ 510,00  variação em 8 anos= R$ 310,00 (155%)  que subtraídos de uma inflação* de 54,03%*** no período de 2003 a 2010, dá um aumento real de 100,97%;
  • Dólar** governo Lula = 01/01/2003 = R$ 3,522  07/01/2010= R$ 1,174;
  • Salário Mínimo em Dolar Lula = Melhor cotação- Janeiro de 2010 = U$ 296,17 (salário R$ 510,00 USD=R$ 1,722) .

Por daSilvaEdison

Len,

A relação do mínimo com o valor da cesta básica parece representar melhor o que se passa no cotidiano das pessoas.

Ainda mais quando sabemos que o valor do Dólar foi mantido em patamares artificiais na década passada.

Sugiro então que acrescente na tabela, no item “Salário Mínimo”, mais esse critério de comparação.

Os dados para isso foram publicados recentemente pelo Dieese.

A relação Mínimo/Cesta Básica saiu de 1,2 em 1995 para 1,4 em 2002 e 2,1 agora em 2010.

Confira aqui:

http://www.dieese.org.br/esp/notatec86SALARIOMINIMO2010.pdf

Relação Salário mínimo / cesta básica (clique na imagem para ver a magem  com melhor resolução)

Como podemos ver pelo gráfico do DIEESE, um salário mínimo no início do governo FHC dava para comprar 1,02 cestas básicas, e ao final de 8 anos consguia comprar 1,42 cestas, em um aumento de 39% no poder de compra do salário mínimo medido em cestas básicas. No governo Lula o salário mínimo tem sucessivos aumentos substanciais a partir de 2005, passando a comprar mais de duas cestas básicas em 2009 e se chegando a 2010 ao patamar de compra de 2,17 cestas, o maior quociente desde o início da série histórica em 1979, o que repreenta um aumento do poder de compra do salário mínimo medido em cestas básicas da ordem de 53%.

Salário mínimo ajustado em Reais de jan/2010 (clique na imagem para ver a magem  com melhor resolução)

Reajustando os valores da série histórica do salário mínimo para os valores reais de janeiro de 2010 (deflacionados por projeção do ICV – estrato inerior), podemos perceber que o salário de 2010 é o maior desde 1986.

Resumindo:

Lula FHC
Maior Salário Mínimo em dólar em 8 anos de governo U$ 296,17 em janeiro de 2010 U$ 113,05 em Maio de 1998
Variação da relação salário mínimo/cesta básica 1,42 – 2,17  – > 53% 1,02 – 1,42  – > 39%
Ganho Real do Salário (Aumento – Inflação) 101% 85%

Fontes:

Cotação dolar histórica – Banco Central do Brasil

Série histórica salário mínimo – Portal Brasil

Série histórica inflação IPCA – IBGE

Série histórica relação Salário mínimo x cestas básicas – DIEESE

*Inflação baseada na série histórica do IPCA do IBGE.

** Dolar – cotação BC venda flutuante ou venda, dependendo da época pesquisada.

*** Com base na última previsão do BC para 2010 com IPCA de 4,5%.

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FMI HISTÓRIA E BRASIL

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL E O BRASIL

1.CONFERÊNCIA DE BRETTON WOODS:
Com a perspectiva de término da 2. Guerra Mundial, realizou-se em julho de 1944, na cidade de Bretton Woods nos EUA, a Conferência Monetária e Financeira Internacional das Nações Unidas e Associadas. O Objetivo principal da conferência era a definição da estrutura internacional de comércio e finanças a vigorar no pós-guerra. O sistema implantado baseou-se na supremacia dos EUA e levou à criação de três organismos internacionais e à eleição do dólar como moeda padrão internacional, garantindo o Banco Central a paridade fica de US$ 35 por onça troy de ouro.
Os organismos eram : a) Sistema Monetário de Bretton Woods, com o Fundo Monetário Internacional FMI como instrumento operacional e de controle; b) Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento BIRD ou Banco Mundial, destinado a prover recursos a baixo custo, para financiar projetos de reconstrução do pós-guerra ou de desenvolvimento dos países subdesenvolvidos; c) Organização Internacional do Comércio que não saiu inicialmente do papel e foi substituída em 1947 pelo GATT – Acordo Geral Sobre Tarifas e Comércio e que recentemente foi instituída .
O economista Joseph Stiglitz assinala que o FMI foi criado sob a liderança intelectual de John Maynard Keynes que justamente defendia o déficit fiscal como forma de impulsionar o desenvolvimento econômico . Segundo ele , o FMI acabou sendo controlado justamente pela escola oposta , relacionada ao mercado financeiro e cujos defensores acreditavam que o mais importante era a responsabilidade fiscal e a redução do déficit , daí a ênfase do FMI no pagamento das dívidas , e não no reforço nos fundamentos da economia dos países .
Ao longo da década de 60, os Estados Unidos investiram bilhões de dólares no exterior em capital de risco e na guerra do Vietnã onde fora gastos mais de US$200 bilhões. O balanço de pagamentos americano, em conseqüência passou a apresentar seguidos déficits. O Gal De Gaulle, presidente francês, em razão do excesso de dólares, começou a trocar a moeda americana por ouro, conforme tinha direito pelo acordo de Bretton Woods. Desta forma os estoques americanos de ouro, em Fort Konx começaram a diminuir de nível.
Em agosto de 1971, o presidente Nixon, ciente da impossibilidade de converter todo o volume de dólares emitido pelos americanos em ouro, determinou o fim da conversibilidade e da paridade fixa do dólar em ouro, tornando-o flutuante em relação às outras moedas.
“Após a medida de Nixon, ficaram retidas na Europa e Ásia 80 bilhões de dólares… O que fazer com este dinheiro foi a questão levantada pelos banqueiros. John Walls, um pesquisador da universidade inglesa de Cambridge, preocupou-se com o assunto e , em um de seus trabalhos, resumiu as soluções encontradas: 1) Buscar novos ‘tomadores’( de empréstimos) na periferia do mundo industrial; 2) aumentar o volume dos empréstimos de médio e longo prazos e ; 3) diminuir a taxa de juros, devido ao excesso de fundos disponíveis e à concorrência entre as instituições financeiras. Com isso beneficiou-se a política brasileira de captação de recursos externos. Mas se era fácil para o Brasil conseguir empréstimos, países como o Gabão, Peru, Venezuela, Dubai, Argélia, Coréia do Sul, Filipinas, etc também conseguiram seus créditos, com facilidade. Até mesmo Cuba, marginalizada nos negócios do mundo capitalista, levou a sua parte deste bolo gigantesco: obteve um financiamento de 40 milhões de marcos. Aproveitando-se desse excesso de dólares no mundo, o Brasil lançou títulos do Tesouro na Europa e no Japão, títulos esses que foram rápidamente absorvidos pelo mercado. Uma prova da ‘eficiência’ da política econômica brasileira? Pouco provável, pois o Senegal e a Costa do Marfim também o fizeram com êxito” (Maranhão, Aluízio; Revista Vozes, n. 05 , ano 71, junho de 1977 , p. 7-8). Foi justamente neste período que os chamados tigres asiáticos, financiados por capital externo iniciaram juntamente com o Brasil uma arrancada decisiva em seu processo de industrialização e o resultado após 30 anos é substancialmente diferente com desvantagem óbvia para o Brasil.
FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL FMI
De 1870 a 1914 vigorou no mundo o padrão ouro . Com a Conferência de Bretton Woods foi criado em 1944 o FMI Fundo Monetário Internacional , com o objetivo de zelar pela estabilidade financeira e cambial dos países membros . Com o final da Segunda Guerra Mundial adotou-se o padrão ouro dólar como moeda internacional . . Em 1948 foi criado o GATT e teve início o Plano Marshall . Problemas cambiais ocorreram durante a década de 40 e 50 e em 1961 apareceram os primeiros sinais de fraqueza do dólar e acima do FMI formou-se o G-10 e o “Pool do ouro” para sustentar a estabilidade cambial . Em 1965 o General de Gaulle , presidente da França levanta suspeitas quanto á conversibilidade do dólar em ouro .Em 1971 o presidente americano Richard Nixon decreta o fim do padrão Ouro Dólar ., acabando com a conversibilidade do dólar em ouro ,
A partir deste fato cresceram as responsabilidades do FMI na resolução de crises cambiais no mundo inteiro . O FMI passou a prestar socorro aos países sócios com graves problemas no balanço de pagamentos .
As políticas do FMI foram definidas pelos seus principais membros . Os dez sócios mais importantes , Grupo dos Dez , ou Clube de Paris tinham a maioria do capital votante , controlando a instituição : EUA , Canadá , Alemanha Ocidental , Inglaterra , Japão , França , Itália , Bélgica , Holanda e Suécia . Somente os EUA detinham 25% do capital do fundo .
Portanto os critérios de ajuste foram definidos segundo padrões das grandes nações do mundo capitalista . O FMI para emprestar recursos passou a exigir um rigoroso programa de recuperação da economia, monitorado pelos seus técnicos o que passou a gerar forte oposição nos países assistidos , sob o argumento de intervenção na soberania nacional por técnicos estrangeiros.
O BRASIL E O FMI
A dívida externa brasileira nasceu juntamente com a independência . Atravessou toda a Monarquia e acompanhou o surgimento da República. Logo nos primeiros anos sua dimensão exigiu o famoso “Funding Loan” no governo de Campos Sales .
Porém até a década de 1920 o Brasil era um país predominantemente agrícola e as questões de dívida estavam ligadas a operações na agricultura , destacando-se o financiamento da aquisição dos estoques de café após o Convênio de Taubaté em 1906 .
Com a industrialização iniciada com maior intensidade na ditadura Vargas , aumenta a inserção do país no contexto internacional . Porém será apenas no governo Juscelino Kubitschek é que terá início uma política oficial de industrialização acelerada , os chamados “50 anos em 5” . Para alcançar esta meta , Juscelino estimulou fortemente o ingresso de empresas multinacionais e partir para obter novos empréstimos internacionais e desta forma já em 1955 veio ao Brasil a primeira missão do FMI . O relatório Bernstein foi divulgado com críticas à condução da política econômica e ao sistema de taxas múltiplas de câmbio e mesmo assim o FMI concedeu aval a um empréstimo feito pelo governo Vargas no Eximbank
Em 1958 foi feito o primeiro acordo “ stand by”e o ministro da Fazenda , Lucas Lopes , adotou política de estabilização recessiva , mas Juscelino cede às pressões internas contraditórias . e em 1959 rompe com o FMI e contrata financiamentos com bancos particulares a juros mais elevados . As medidas de controle de gastos entraram em colisão com o seu Plano de Metas e a ambição de construir Brasília .
Deve-se salientar que apesar do ocorrido o Brasil era um país pequeno e os números insignificantes face à magnitude atual . Para se ter uma idéia , até o final da década de 60 o país levou quase 20 anos para aumentar sua dívida externa de US 3 para 4 bilhões . De 1969 a 1972 posteriormente a dívida passou de US$ 4,4 para 9,5 bilhões de dólares , ou seja 115% a mais.
Em 1960 são reabertas negociações e em 1961 o governo Jânio Quadros adota um esquema de estabilização recessiva e fecha um acordo “standy by” , com negociação global da dívida. O Ministro da Fazenda era Clemente Mariani e a preocupação era não caracterizar as medidas implementadas como resultado da imposição do FMI . Porém como o governo Jânio Quadros durou pouco , com a sua renúncia o acordo não foi renovado e o reescalonamento adiado.
Em 1963 o ministro da Fazenda San Thiago Dantas e do Planejamento Celso Furtado adotaram política nos moldes do FMI . Em 1965 já no governo Castelo Branco continuou a política de ajuste com o FMI com o reescalonamento da dívida e um acordo standy by de US$ 89 milhões. Superada a crise o FMI praticamente ausentou-se da economia brasileira por uma década .
O MILAGRE BRASILEIRO E O FMI
Na década de 70 o Brasil desenvolveu uma política de expansão industrial e realizou grandes investimentos em infra estrutura, bens de capital e importação de petróleo . Os recursos para esta forte expansão vieram em grande parte de empréstimos internacionais Outras medidas foram tomadas também : abertura do país ao capital estrangeiro , redução de investimentos na área social , transferência de renda do setor agropecuário para o setor urbano . política de arrocho salarial ; emissões de papel moeda .
O Brasil se beneficiou de uma conjuntura internacional de grande liquidez. Os déficits no balanço de pagamentos americanos foram financiados com a emissão e a “exportação” de dólares . O crescimento das empresas transnacionais gerou excedentes financeiros canalizados para a rede bancária e os países exportadores de petróleo , após a elevação nos preços passaram a apresentar grandes superávits .
Foram iniciadas 33 grandes obras , com investimentos de US$ 230 bilhões em um prazo de até 15 anos. Nos anos de 1972 e 1979 ocorreram duas grandes elevações nos preços do petróleo . Após a primeira crise em 1972 , medidas de ajuste não foram tomadas o que levou a um progressivo agravamento da situação externa o que acabou levando o Brasil a ser obrigado a recorrer ao FMI .
A partir de 1979 a situação modificou-se com a redução da liquidez internacional . Iniciou-se uma recessão global com a retração do comércio e diminuição de volume de dinheiro canalizado para os bancos que se agravou com o não pagamento em dia dos compromissos por vários países . Os ganhos provenientes dos países exportadores de petróleo diminuíram pela redução dos volumes de exportações e estabilidade nos preços , sendo que muitos países árabes ao invés de depositar fizeram retiradas . As taxas de juro subiram e com a crise pequenos e médios bancos começaram a retirar-se do mercado . A situação econômica dos países subdesenvolvidos piorou-se pela deterioração constante nas relações de troca com os países desenvolvidos.
ESGOTAMENTO DE UMA ESTRATÉGIA
A crise da dívida externa brasileira no final da década de 70 revelou o esgotamento de uma estratégia de desenvolvimento baseada na expansão do setor público com base no endividamento externo e interno .
Os bancos comerciais interromperam os empréstimos voluntários de médio e longo prazos , desde fim de 1982 . O Clube de Paris também fechou-se para o Brasil no início de 1985 e os desembolsos do Banco Mundial reduziram-se pela crescente desorganização do governo brasileiro e sua incapacidade de manter uma postura adequada na negociação com o banco .
Os EUA mostraram-se mais preocupados em proteger os bancos comerciais , pressionando e incentivando os países devedores a continuar pagando os juros da dívida. Porém em razão das crises os bancos americanos pararam de firmar novos empréstimos , reduzindo sua taxa de exposição em relação aos países da América Latina .
Em 6 de janeiro de 1983 o Brasil enviou sua primeira carta de intenção ao FMI, sob a gestão do ministro Delfim Netto . Ela previa uma inflação de 70% que atingiu 211% . Inicia-se uma sequência de cartas onde as metas sempre não eram cumpridas. Em 1983 foram quatro cartas . Em 1984 mais três .
Embora os problemas de dívida fossem generalizados na América Latina , não houve a formação de um grupo de devedores para reivindicações comuns. A crise nos anos 80 trouxe para a região a redução de renda e dos salários , a diminuição dos investimentos e a agudização dos problemas sociais , entre os quais o da pobreza absoluta .
1985 GESTÃO DORNELLES – MARÇO A AGOSTO
O FMI recusou a 7ª carta de intenções enviada em dezembro de 1984 e suspendeu o acordo com o Brasil , aguardando a posse do novo governo .
O ministro Dornelles , conseguiu em agosto de 1985 apenas o “shadow agreement , documento que autorizava os técnicos do FMI a acompanhar mensalmente os principais agregados macroeconômicos do país .
GESTÃO FUNARO – agosto de 1985 a abril de 1987 .
As relações do Brasil com o FMI tornaram-se tensas . Funaro participou em outubro de 1985 da reunião anual do FMI em Seul , onde criticou os modelos de ajuste do fundo.
Em março de 1986 suspendeu o pagamento de juros devidos ao Clube de Paris . Em junho de 1986 fechou um acordo definitivo com os bancos privados , mas sem a supervisão do FMI . O Clube de Paris recusou-se a negociar sem acordo com o FMI .
A situação econômica brasileira foi-se agravando . Com o câmbio congelado , e a economia repleta de ágios devido ao congelamento , e o aquecimento da demanda , reduziram as exportações e as reservas , reduzindo a capacidade de negociação do governo .
MORATÓRIA
Em 20 de fevereiro de 1987 o Brasil decreta moratória , suspendendo o pagamento de juros aos bancos privados por tempo indeterminado e o pagamento de créditos comerciais e interbancários que fossem vencendo . A suspensão tinha vários atenuantes : os pagamentos eram mantidos em cruzados , depositados e contas abertas para os bancos no Banco Central . O governo acenava com austeridade fiscal e saneamento dos bancos estaduais .
As autoridades americanas rebaixaram os créditos brasileiros para “ substandard” , os prazos nas linhas de curto prazo foram encurtados e os bancos , sem hostilizar o governo esperavam .
A moratória não teve apoio político interno de peso e não serviu como instrumento de negociação . A queda de Funaro era questão de tempo e ocorreu em abril de 1987 .
GESTÃO BRESSER abril a dezembro de 1987 .
Logo após assumir Bresser enviou telex aos bancos, acenando com a retomada dos pagamentos e a possibilidade de volta ao FMI . Seu Plano de Consistência Macroeconômica continha várias prescrições do FMI para ajuste : redução da atividade econômica , estímulo às exportações para retomada do superávit , política monetária austera, etc.
Bresser tentou forçar os credores a um acordo de longo prazo , incluindo securitização da dívida ( troca da dívida velha por bônus que incorporassem o desconto existente no mercado secundário de títulos ) e cláusulas de salvaguarda em casos de deterioração da situação econômica internacional .
Em junho de 1987 foi estendida a moratória para créditos junto ao Clube de Paris com suspensão de pagamentos de US$ 1 bilhão . Em 2 de setembro de 1987 Bresser foi ao encontro dos credores e inicia a renegociação da dívida com o FMI endossando a política econômica brasileira , satisfazendo exigência do Clube de Paris .
Em 7 de setembro de 1987 acaba a moratória . Em novembro de 1987 é fechado acordo com os bancos
GESTÃO MAILSON janeiro 1988 a 15 março 1990
Em fevereiro de 1988 Mailson acerta acordo preliminar com os bancos para o refinanciamento dos juros de 1987 a 1989 e consegue a redução do spread para 0,8125% o mesmo do México, enquanto o anterior era de 1,66% . O acordo definitivo foi concluído em 22 de setembro .
Em julho de 1988 após longas negociações o Brasil encaminha a 8 carta de intenções ao FMI . Ainda em julho foi acertado acordo de reescalonamento com o Clube de Paris .
GESTÃO MARCÍLIO MARQUES MOREIRA
Em dezembro de 1991 foi encaminhada carta de intenções ao FMI com uma estratégia ortodoxa de combate à inflação : políticas de rígido controle monetário ( via juros altos e diminuição da oferta de crédito) e fiscal ( via redução dos gastos públicos e aumento das receitas governamentais ) . O compromisso era chegar a uma inflação de 20% em 1993 . As tarifas públicas seriam elevadas 15% acima de seu nível médio de 1991 e projetava-se uma receita com privatizações de US$ 18 bilhões . Na carta o governo reconhecia formalmente o fracasso da política econômica decorrente do Plano Collor.
Em 1992 o Brasil voltou a firmar acordo “standy-by” com o FMI . As dificuldades de cumprimento das metas estabelecidas na carta de intenção continuaram , agravadas pela crise interna que levou ao impeachment de Collor .
PLANO REAL ACORDO EM 1998
As medidas adotadas a partir de 1993 e que levaram ao Plano Real e à estabilização da economia foram feitas à margem do FMI . Porém a estratégia de adotar o dólar como âncora levou a um progressivo agravamento da situação externa que , somada às crises internacionais no leste asiático e na Rússia obrigaram o Brasil no final de 1998 a firmar novo acordo com o FMI que continuam em vigor atualmente .
O acordo resultou na liberação de US$ 19,7 bilhões , parte de um megapacote de US$ 41,5 bilhões do qual participam o Banco Mundial , o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco de Compensações Internacionais .
Ao contrário das experiências anteriores , desta vez a maioria das metas foi cumprida. Dos US$ 19,9 bilhões o Brasil sacou efetivamente US$ 14,3 bilhões .
Em 2003 o FMI divulgou uma análise interna reconhecendo que o FMI havia identificado corretamente a supervalorização do câmbio em 1998 , mas que não tinha feito os esforços suficientes para convencer o governo a mudá-la , nem expôs o problema ao publico. O FMI também falhou ao não apontar outras vulnerabilidades do Plano Real como o aumento da dívida interna brasileira . A análise afirma que o governo brasileiro manteve políticas fiscais e monetárias “frouxas” entre 1994 e 1999 e não executou as reformas estruturais que deveria ter feito. O relatório afirma ainda que as autoridades brasileiras se mostraram “relutantes em divulgar informações sensíveis ao mercado financeiro “ e negaram-se a autorizar a divulgação de relatório apresentado pelos técnicos da instituição à diretoria executiva do FMI . ( F S P 29.7.2003, p. B-1) .
ACORDO EM 2001
Como a dívida pública continuou aumentando , associado ao aumento da desconfiança internacional em razão da crise argentina o Brasil renovou seu acordo com o FMI em 2001 , representando mais US$ 18,3 bilhões dos quais foram efetivamente sacados US$ 17,2 bilhões .
ACORDO EM 2002
Desde 2001 o FMI mudou radicalmente sua política em relação ás crises nacionais . Acabou a era dos grandes pacotes de ajuda . O caso da Argentina foi exemplar . Ao invés de mostrar rapidez em evitar o naufrágio da economia argentina o FMI manteve-se impassível .
Estabeleceu uma extensa lista de exigências e précondições , forçando um severo ajuste fiscal em uma economia sob forte depressão . Como muito do modelo econômico que levou o país à grave crise atual foi gestado sobre as benesses do FMI e do Consenso de Washngton fica evidente a armadilha em que a Argentina caiu . E sem acordo com o FMI também não aparece ajuda do Banco Mundial e de organismos europeus .
“A nova postura do FMI é deixar quebrar para ver como é que fica “ e a Argentina tornou-se a primeira vítima desta nova postura .
Porém esta postura acabou sendo alterada por pressões dos bancos americanos , uma vez que poderia levar a uma quebradeira geral em toda a América Latina .
O FMI em 7 de agosto de 2002 anunciou o maior pacote financeiro da história das relações com o Brasil , cerca de US$ 26,0 bilhões . O acordo venceu em setembro de 2003 e o Brasil sacou o total acertado , já no governo Lula .
O novo programa não apresenta novas exigências ao país , a não ser a manutenção de um superávit fiscal de 3,75% do PIB até 2005 meta que já havia sido anunciada pelo governo . Foi autorizada ainda a redução do piso líquido de reservas internacionais de US$ 15 para US$ 5 bilhões.
O prazo record , cerca de 1 semana , em que foi aprovado o acordo , demonstra a aprovação do governo americano e a pressão dos bancos americanos para evitar uma crise sistemática que poderia envolver toda a América Latina.
O acordo foi feito às presas para acalmar o mercado , intranquilo em razão das eleições e da probabilidade de vitória do PT , chegando o dólar a uma cotação próxima de R$ 4,00 . Além disso , fraudes contábeis cometidas por empresas nos EUA , contribuíram para perturbar ainda mais o quadro .
ACORDO 2003
Em 2003 , no primeiro ano do governo Lula , foi feito novo acordo , no valor de R$ 15,5 bilhões com o objetivo de conquistar a confiança do mercado financeiro e diante da vulnerabilidade externa da economia . Porém , pela expressiva melhora no superávit comercial e pela retomada da entrada de investimentos externos , nenhuma importância foi efetivamente sacada .
Entre 1998 e 2004 o Brasil emprestou do FMI US$ 57,5 bilhões , dos quais US$ 4 bilhões de juros já foram pagos e mais US$ 2,15 bilhões deverão ser pagos até 2007 . Além disso o governo deverá pagar até 2005 , US$ 15,7 bilhões, referentes aos financiamentos recebidos desde 1998 .( F S P 9.2.2005 , p. B-1) .
FIM DO ACORDO EM 2005
Em 28 de março de 2005 o governo Lula anunciou a não renovação do acordo com o FMI , vencido no mês de março .
O governo tentou ao máximo obter concessões do FMI para renovar o acordo em bases mais brandas , com a possibilidade de sua manutenção servir como uma espécie de seguro para situações extremas .
Diante da recusa do Fundo em ceder , o governo chegou á conclusão que o acordo em moldes tradicionais teria pouco efeito benéfico e optou pelo não continuidade .
A não renovação do acordo se justifica pela grande melhora nas contas externas do país . O Brasil está apresentando superávit primário da ordem de 4,8% do PIB , as reservas internacionais líquidas estão em US$ 31,4 bilhões e os saldos comerciais estão cada vez maiores .
Para alguns economistas o Brasil deveria aproveitar a boa situação nas contas externas para liquidar antecipadamente parte das dívidas com o FMI . Dos US$ 26, 0 bilhões sacados em 2003 , o Brasil tomou US$ 11,5 bilhões da linha mais cara , a SRF , cerca de 3 a 35 % mais cara que a linha padrão Standy By .
PAGAMENTO DA DÍVIDA COM O FUNDO
Em dezembro de 2005 o governo Lula anunciou a decisão de quitar toda a dívida com o FMI . Cerca de US$ 15,5 bilhões deverão ser pagos até o final de dezembro , quitando uma dívida que deveria originalmente ser quitada em parcelas até 2007 .
Com o pagamento o país irá economizar aproximadamente US$ 900 milhões com juros e mesmo assim as reservas do país continuarão elevadas , no valor aproximado de US$ 51,5 bilhões .
A decisão é positiva considerando o custo do financiamento e a maior autonomia que poderá ter o país na condução de sua política econômica .
AS DECISÕES NO FMI
Não dependendo mais de recursos do FMI o Brasil como participante do FMI pode ter maior autonomia nas discussões e decisões do Fundo.
Em 20 de março de 2007 foi aprovada a indicação do economista brasileiro Paulo Nogueira Batista Júnior para o cargo de diretor executivo do Fundo , representando nove : Colômbia, Equador, Guiana , Haiti, Panamá, República Dominicana , Suriname e Trinidade e Tobago e Brasil .
Em artigo na Folha de São Paulo o economista destaca a concentração do poder de votação no FMI . Os EUA tem 17% do total dos votos e poder de veto nas alterações do estatuto do Fundo que exigem maioria de 85% . Japão e Alemanha possuem 6% dos votos cada um , França e Reino Unido 5% cada . Cinco países desenvolvidos possuem 39% dos votos e o conjunto dos desenvolvidos controla cerca de 60% dos votos . O Brasil isoladamente possui apenas 1,4% dos votos e o grupo de nove países que Paulo Nogueira Batista irá representar apenas 2,4% . Existem distorções gritantes como a Bélgica com 2,1% dos votos , pesar mais que a Ìndia que tem 1,9% ou a Holanda com 2,3% , mais do que o Brasil.
Discussões estão em andamento no Fundo para uma reavaliação das estruturas de votação e dos critérios utilizados para definir o poder de voto de cada membro , com tendência para aumento da representatividade dos países emergentes e em desenvolvimento . ( Batista Jr. Paulo , Nogueira , in F S P 22.03.2007 , p. B-2 ) .

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